Papo Fit: Estatinas: Efeitos Colaterais que Devem ser Conhecidos


As estatinas são um grupo de remédios para baixar o colesterol, sendo as mais usadas a Sinvastatina, Atorvastatina e Rosuvastatina.

Durante os últimos 20 anos, a indústria farmacêutica fez uma incrível campanha que transformou as estatinas em um dos fármacos mais vendidos de todos os tempos, com milhões de usuários diários. Porém, também é crescente o aumento de relatos de efeitos colaterais que se manifestam meses após o início da terapia. Um artigo, publicado no American Journal of Cardiovascular Drugs, cita cerca de 900 estudos sobre os efeitos adversos das estatinas, também conhecidas como inibidores da HMG-CoA redutase (enzima hepática que controla a produção de colesterol). Entre as complicações mais recorrentes estão os problemas musculares, cognitivos, sexuais e de memória, além de dor ou dormência nas extremidades.

Também já foram diagnosticados casos de elevação de glicose no sangue (maior risco de ter diabetes) e complicações nos tendões.

Geralmente, as estatinas não causam efeitos colaterais imediatos. No início do tratamento, elas são eficazes na redução dos níveis de colesterol. As complicações fisiológicas que aparecem mais tarde muitas vezes não são interpretadas como efeito colateral da droga, mas sim como novo problema de saúde. Uma das causas dos efeitos das estatinas é prejudicar a função mitocondrial (sistema responsável pela formação de energia), condição que leva a um aumento da produção de radicais livres. Ao mesmo tempo em que baixam o colesterol, as estatinas também reduzem os níveis de coenzima Q10, um importante antioxidante mitocondrial, por meio do bloqueio da via envolvida na produção de colesterol - a mesma rota metabólica pela qual a Q10 é produzida. As estatinas também reduzem o colesterol no sangue, que transporta CoQ10 e outros antioxidantes lipossolúveis.

O processo começa com a acetil-CoA, uma molécula com dois carbonos, às vezes chamada de “formadora dos tijolos da vida” (building block of life). Três moléculas de acetil-CoA se combinam para formar uma molécula de seis carbonos, a HMG (ácido hidroximetil glutárico). O passo de HMG para o mevalonato requer uma enzima, a HMG-CoA redutase. As drogas estatinas funcionam ao inibir essa enzima - consequentemente tem o nome formal de inibidores da HMG-CoA redutase. Nisso jaz o potencial para numerosos efeitos colaterais, uma vez que tais drogas não inibem apenas a produção de colesterol, mas uma família inteira de substâncias intermediárias, muitas, se não todas, com funções bioquímicas importantes em si mesmas.

O colesterol é um entre os três produtos do final da cadeia de transformação do mevalonato. Os dois outros são ubiquinona e o dilocol. Ubiquinona ou Co-enzima Q10 é um nutriente celular crítico biosintetizado na mitocondria. Desempenha um papel na produção de ATP nas células e funciona como um carregador de elétrons para a citocroma oxidase, nossa principal enzima respiratória. O coração requer níveis altos de Co-Q10. Uma forma de Co-Q10 (ubiquinona) é encontrada em todas as membranas celulares onde tem o papel de manter a integridade da membrana, aspecto crítico para a condução nervosa e a integridade muscular. A Co-Q10 também é vital para a formação de elastina e colágeno. Os efeitos colaterais da deficiência de Co-Q10 inclui debilidade muscular que pode levar a fraqueza e severa dor nas costas, parada cardíaca (o coração é um músculo!), neuropatia e inflamação dos tendões e ligamentos, que podem frequentemente romper.

O dolicol também desempenha um papel de imensa importância. Nas células ele orienta a fabricação de várias proteínas em resposta a diretivas do DNA frente a diversos propósitos, assegurando que as células respondam corretamente às instruções geneticamente programadas. Assim drogas estatina podem conduzir a um caos imprevisível a nível celular, semelhante à ação de um vírus de computador quando ele apaga certos caminhos ou arquivos do disco rígido.

É importante lembrar que o colesterol é vital para uma adequada função neurológica e desempenha um papel fundamental na formação da memória, na absorção de hormônios e produção de neurotransmissores no cérebro, incluindo a serotonina, substância química de bem-estar do corpo. O colesterol é a principal molécula das membranas celulares do cérebro, consistindo de mais da metade do peso seco do córtex cerebral. Quando os níveis de colesterol ficam muito baixos, os receptores de serotonina não conseguem executar suas funções, podendo predispor o surgimento de depressões.

Toda membrana de cada célula de nosso corpo contém colesterol porque o colesterol é o que faz nossas células serem impermeáveis - sem o colesterol nós não podemos manter protegida a bioquímica do lado de dentro da célula em relação ao líquido extracelular. Quando os níveis de colesterol não são adequados, a membrana celular fica com inadequada vedação (porosa), uma situação que o corpo interpreta como uma emergência, o que estimula a liberação de hormônios corticoides que buscam o “sequestro” do colesterol de outra parte do corpo, transportando-o para áreas onde está faltando. O colesterol é a substância de reparo do corpo: o tecido de uma cicatriz contém níveis altos de colesterol, inclusive o tecido das cicatrizes nas artérias.

O colesterol é o precursor da vitamina D, necessário para numerosos processos bioquímicos inclusive o metabolismo mineral. Os sais de bílis, exigido para a digestão de gordura, são feitos de colesterol. As pessoas que sofrem de baixo colesterol frequentemente têm dificuldade de digerir gorduras. O colesterol também funciona como um poderoso antioxidante, nos protegendo assim contra o câncer e contra o envelhecimento.
O colesterol é o precursor de todos os hormônios produzidos no córtex supra renal inclusive os glicocorticoides, que regulam os níveis de açúcar no sangue e os mineralocorticoides que regulam o equilíbrio mineral. Os corticoides são os hormônios suprarrenais derivados do colesterol que o corpo utiliza em reação a vários tipos de “stress”; isso promove saúde e equilibra a tendência para inflamações. O córtex suprarrenal também produz os hormônios sexuais, inclusive a testosterona, os estrógenos e a progesterona, a partir do colesterol. Assim, frente a redução do colesterol - seja devido a um erro inato de metabolismo ou induzido por dieta e drogas que o reduzem.

O colesterol é o precursor de todos os hormônios produzidos no córtex adrenal, incluindo os glicocorticoides, que regulam os níveis de açúcar no sangue, e os mineralocorticoides, que regulam o equilíbrio eletrolítico do corpo. Os corticoides são os hormônios suprarrenais à base de colesterol que o corpo usa em resposta ao estresse de vários tipos, isso promove a cura e equilibra a tendência à inflamação. Por agir também sobre os hormônios sexuais, incluindo a testosterona, o estrogênio e a progesterona, sua redução excessiva pode causar distinção na produção dos hormônios suprarrenais e sexuais, o que pode ocasionar uma série de distinções fisiológicas, como problemas de glicose no sangue, edema, deficiências minerais, inflamação crônica, alergias, asma, libido reduzida, infertilidade e vários problemas do aparelho reprodutor, entre outros.

Depressão
Numerosos estudos uniram baixo colesterol com depressão. Um do mais recentes mostrou que as mulheres com baixas taxas de colesterol têm duas vezes mais chance de sofrer de depressão e ansiedade. Investigadores do centro Médico da Duke University investigaram traços de personalidade em 121 mulheres jovens entre 18 a 27 anos. Eles verificaram que 39 % das mulheres com baixos níveis de colesterol tiveram altos escores em características que sinalizam tendência a depressão, comparadas a 19 % de mulheres com níveis normais ou elevados de colesterol. Além disso, uma entre três mulheres com baixos níveis de colesterol tinha altos escores para ansiedade, comparados a 21 % com níveis normais. Entretanto o autor do estudo, Dr. Edward Suarez, pede cautela para as mulheres com baixo colesterol em comer alimentos como “bolos de nata” que podem elevar o colesterol, advertindo que estes tipos de comida podem causar doença cardíacas. Em estudos prévios em homens, verificou-se que os homens que reduzem os seus níveis de colesterol com medicamentos tem aumentadas suas taxas de suicídio e morte violenta, o que levou os investigadores a teorizar que os baixos níveis de colesterol estavam causando perturbações de humor.
Quantos idosos usuários de estatinas amargam seus anos dourados se sentindo miserável e deprimidos, num momento em que eles deveriam estar desfrutando seus netos e olhar para traz com orgulho das suas realizações? 

Câncer
Em todos os estudos com roedores as estatinas causaram câncer. - Por que nós não observamos tal correlação em estudos humanos? - Porque o câncer leva tempo para se desenvolver e a maioria das experimentações com as estatinas não se estendem por mais do que dois ou três anos. Mesmo assim, em uma pesquisa (The CARE trial), as taxas de câncer de mama nas usuárias de alguma estatina se elevaram em 1500 %. No Estudo de Proteção do Coração, o câncer de pele não-melanoma ocorreu em 243 pacientes tratados com sinvastatina comparado com 202 casos no grupo de controle. 
Os fabricantes de drogas estatinas reconhecem o fato de que essa substância deprime o sistema imunológico, um efeito que pode conduzir ao câncer e a doença infecciosa, uma vez que ela tem seu uso recomendado para a artrite inflamatória ou como um imunossupressor para pacientes de transplantes.

Vertigem
A vertigem é geralmente associada com uso de estatina, possivelmente devido a efeitos de redução da pressão arterial. A redução da pressão sanguínea foi relatada em muitos estudos com várias estatinas. 

Comprometimento hepático
Os hipolipemiantes podem ocasionar toxicidade hepática que se manifesta, na clínica, de diferentes formas: elevação assintomática das enzimas TGO/AST, TGP/ALT, insuficiência hepática aguda, hepatite e colestase. 

Neuropatia
A polineuropatia, também conhecido como neuropatia periférica, é caracterizado por fraqueza, formigamento e dor nas mãos e pés como também dificuldade para caminhar. Investigadores que estudaram 500.000 residentes da Dinamarca, aproximadamente 9 % da população daquele país, verificaram que as pessoas que usavam estatina eram mais propensas a desenvolver polineuropatia. Utilizar estatina durante um ano eleva o risco de dano ao nervo em aproximadamente 15 % - aproximadamente um caso para cada 2.200 pacientes. Para esses que usaram estatina durante dois ou mais anos, o risco adicional subiu a 26 %.
De acordo com a pesquisa da Drª. Golomb, problemas neurológicos são um efeito colateral comum com uso de estatina; pacientes que usam estatina durante dois ou mais anos tem de quatro a 14 vezes mais riscos de desenvolver polineuropatia idiopática quando comparado a controles. 11 Ela relatou que em muitos casos, os pacientes lhe disseram que eles tinham se queixado aos seus médicos de problemas neurológicos, para ser assegurado que os sintomas não poderiam ser relacionados aos medicamentos redutores de colesterol.
O dano é frequentemente irreversível. As pessoas que utilizam grandes doses por muito tempo podem permanecer com dano permanente ao nervo, mesmo após eles deixarem de tomar o remédio.

Dor muscular e fraqueza
O efeito colateral mais comum é dor muscular e fraqueza, uma condição chamada rabdomiolisis, provavelmente devido à depleção de Co-Q10, um nutriente vital para a adequada função muscular. A indústria insiste que só 2-3 % de pacientes adquirem dores musculares e câimbras, mas em um estudo, Golomb verificou que 98 % dos pacientes que usavam Lipitor® e um terço dos pacientes que usavam Mevacor® (uma estatina de baixa dose) sofreram de problemas musculares.

Você percebeu quantos danos podemos causar com o uso inadequado ou até mesmo um uso continuo de estatinas? Uma alimentação equilibrada associada de bons hábitos e exercícios físicos regulares contribuem coma a redução para níveis normais das taxas de colesterol sem danificar a bioquímica e fisiologia de seu corpo. É necessária a conscientização dos efeitos colaterais apresentados pelos pacientes durante o tratamento com inibidores da HMG-CoA redutase (estatinas) para que a conduta a ser tomada priorize a qualidade de vida do paciente, sem causar riscos à saúde. Ficar preocupado apenas com o colesterol e não avaliar as demais necessidades fisiológicas pode resultar em muitas “dores de cabeça”.

Referências: Leung BP and others. J Immunol. Feb 2003 170(3);1524-30; Palinski W. Nature Medicine Dec 2000 6;1311-1312. Gina K., Study of Two Cholesterol Drugs Finds One Halts Heart Disease. The New York Times, November 13, 2003. Neusa F., Jayme D. Efeitos indesejáveis dos hipolipemiantes: condutas na prática clínica. Revista da Associação Médica Brasileira, v.54, n.4, p.357-362, 2008. Statins and risk of incident diabetes: a collaborative meta-analysis of randomised statin trials. The Lancet, Volume 375, 9716, p. 735 - 742, 27 February 2010. Golomb BA., Evans MA., Mercola Statin adverse effects : a review of the literature and evidence for a mitochondrial mechanism. - The Dangers. 8(6):373-418, 2008.

Nutricionista Roberta Dauernheimer
www.nutriroberta.com.br
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Passo Fundo - RS


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